
Estou num círculo de partilha. Pessoas novas. E há uma que me capta a atenção. A minha energia vai inconscientemente para ela. Faço um esforço por me centrar e distribuir a atenção por todos e pelo todo que formamos.
Mas regresso a casa intrigada. O que é que há para mim neste evento? Procuro identificar aquilo que me cativava na pessoa. Era o olhar. Não eram os olhos, era o olhar. As linhas das pálpebras, o ângulo que formavam. Atraia-me irresistivelmente. Havia suavidade, doçura.
A dualidade entre o eu e aquilo que me cativa permanece. Não estou satisfeita. Há algo mais ali para mim. Resolvo ir mais fundo, amplificar a experiência do impacto que a pessoa tinha em mim (usando Process Work). Movimento, sensações, imagens, sons emergem em mim durante este mergulho.
E algo surge. De repente uma compreensão. Aquele olhar era o olhar do espírito. Aguçado, penetra a realidade, para além dos véus de ilusão. Vê a multiplicidade de eventos e de elementos que se combinam e se sucedem, mas compreende o Todo que os une e a inteligência que os rege. Não toma nada como pessoal e, por isso, é compassivo e amoroso. E como tem a consciência do Todo, tem Fé.
Oh, que prenda! Tenho tanta tendência a tomar os acontecimentos como algo pessoal, contrários a mim, à minha existência. E com este exercício, entrou no meu campo de consciência a experiência de uma atitude diferente. Não uma ideia na mente apenas. Mas uma sensação no corpo, um sentir, uma compreensão: tudo junto. Uma experiência que agora faz parte de mim, e que eu posso aceder e convocar para integrar aquela qualidade.
E depois notei: que bonito! Somos presentes uns para os outros. Que bom ser capaz de desembrulhar esses presentes!
Se quiseres saber mais sobre Process Work, fala comigo! 🙂





