Desembrulhar o presente

olho

Estou num círculo de partilha. Pessoas novas. E há uma que me capta a atenção. A minha energia vai inconscientemente para ela. Faço um esforço por me centrar e distribuir a atenção por todos e pelo todo que formamos.

Mas regresso a casa intrigada. O que é que há para mim neste evento? Procuro identificar aquilo que me cativava na pessoa. Era o olhar. Não eram os olhos, era o olhar. As linhas das pálpebras, o ângulo que formavam. Atraia-me irresistivelmente. Havia suavidade, doçura.

A dualidade entre o eu e aquilo que me cativa permanece. Não estou satisfeita. Há algo mais ali para mim. Resolvo ir mais fundo, amplificar a experiência do impacto que a pessoa tinha em mim (usando Process Work). Movimento, sensações, imagens, sons emergem em mim durante este mergulho.

E algo surge. De repente uma compreensão. Aquele olhar era o olhar do espírito. Aguçado, penetra a realidade, para além dos véus de ilusão. Vê a multiplicidade de eventos e de elementos que se combinam e se sucedem, mas compreende o Todo que os une e a inteligência que os rege. Não toma nada como pessoal e, por isso, é compassivo e amoroso. E como tem a consciência do Todo, tem Fé.

Oh, que prenda! Tenho tanta tendência a tomar os acontecimentos como algo pessoal, contrários a mim, à minha existência. E com este exercício, entrou no meu campo de consciência a experiência de uma atitude diferente. Não uma ideia na mente apenas. Mas uma sensação no corpo, um sentir, uma compreensão: tudo junto. Uma experiência que agora faz parte de mim, e que eu posso aceder e convocar para integrar aquela qualidade.

E depois notei: que bonito! Somos presentes uns para os outros. Que bom ser capaz de desembrulhar esses presentes!


Se quiseres saber mais sobre Process Work, fala comigo! 🙂

Estás a enraizar?

Descubro um jardim novo. Um pequeno recanto de natureza. Estou com saudades de estar com as árvores, estar com qualidade de estar.
Procuro conectar. Relaxo, permito que as impressões cheguem aos sentidos, noto o espaço e a presença dos seres ao meu redor.
Ligo-me a uma árvore. Encosto a minha cabeça a ela. E fico. Ligada. A deixar que ela alivie todo o peso mental que carrego. Sou eu e a árvore.
— Oh, estás a enraizar?
Alguém fala comigo. Bem, hmmm, sim! Aliás, não!, não estava a enraizar, estava a falar com a árvore. E depois fico a falar com a pessoa 🙂
Mais à frente, já de saída, outro grupo de árvores chama-me à atenção. Criam uma atmosfera de mistério entre elas. O desenho dos seus troncos negros, os ramos a afunilar, escurinhos no fundo verde, desperta-me os sentidos. E noto uma árvore em particular… vejo o seu rosto: faz lembrar um velho veado manso.
Entrar neste mundo mágico da natureza é entrar num mundo de encanto e deleite.

oliveiras
Telheiras, Lisboa || 2019

arvore veado

A metafísica da bicicleta

De Cascais até ao Guincho. Convidei uma amiga para o passeio de bicicleta. Ups, há quanto tempo já não ando de bicicleta?

Bicicleta preparada, vamos lá. Ah!, pelo passeio não; pelo passeio andas tu quando vais a pé e agora estás de bicicleta. Ok, pela estrada. Ai, os carros! Enraíza, vá! respira, vem para o teu centro. Estou aqui e os carros passam; está tudo bem, mas preciso de estar aqui e a mente foge. Ai, como é fácil desenraizar e ir para o mundo dos sonhos. Mas agora estás aqui! Isto é sério: há carros, a estrada, o teu corpo frágil. O risco é real. Aqui, a pedalar não é local para sonhar, para desconectares da realidade. Aqui precisas de estar aqui. Continuar a ler

Regatear

Dei por mim a regatear com a vida. Isto gosto. Esta parte não gosto. Aliás, essa parte aí detesto, detesto!, quero que desapareça. Que vá embora! E já!
E uma voz mais interior respondeu:

Usa tudo o que tens ao teu dispôr.
O que te dou é aquilo que precisas.
Aprende a usá-lo para teu benefício.
Retira a sua essência útil.
É uma dádiva.
Acolhe-o e sê grata.
Aprende a lidar com todas as forças em ti e fora de ti.

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Parque do Vale do Silêncio, Lisboa || 2019

Texto originalmente publicado em positivoinsatisfeito.blogspot.com a 11/1/2019.

Vontade de viver

Tenho estado a procurar despertar em mim a vontade de viver. Aquela vontade que vem de dentro e nos faz vibrar, nos faz mover.

Hoje fui ter com uma amiga, caminhamos na praia e o mar simplesmente entrou em mim… a natureza está a fazer comigo um trabalho de cura e de reconexão. Senti verdadeiramente o prazer de estar ali, só estar. Percebi como me tenho de abrir a esses prazeres para deixar que a vida entre em mim. E como estava tão fechada e tão desconectada.
E depois ocorreu-me isto:

Viver é Ser em relação.

E fiquei deliciada ao ler as várias leituras que esta frase pode ter!
É por isso que a Criação existe, porque Deus se quis conhecer a si próprio através da relação entre as suas infinitas expressões.
Ser em relação.

mar carcavelos
Carcavelos, Portugal || 2019

Texto originalmente publicado em positivoinsatisfeito.blogspot.com a 9/1/2019.

Existir

Se amar (-te) é uma expressão da minha essência…
Quando não me permito amar (-te) não me permito existir.

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Marrocos || 2017

Texto originalmente publicado em positivoinsatisfeito.blogspot.com a 13/3/2018.

Pele

Estar na minha pele é um lugar humilde.
Ainda assim, tenho um lugar e isso me basta.

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Malta || 2016

Texto originalmente publicado em positivoinsatisfeito.blogspot.com a 29/7/2018.